Dia 88 — Censura

1/ Os funcionários da Empresa Brasil de Comunicação afirmaram que estão sob censura, proibidos de usar as palavras “golpe” e “ditadura” em referência ao golpe que iniciou a ditadura militar em 1964. A proibição coincide com a determinação de Bolsonaro que as Forças Armadas devem comemorar a data. De acordo com os funcionários da emissora oficial do governo, o termo “ditadura” deve ser substituído por “regime militar”, e “golpe” por “31 de março”. (Veja)

2/ Bolsonaro nomeou um militar para a secretaria executiva do MEC. Em meio a rumores de que o ministro Vélez perderia o cargo, o presidente optou por chamar o tenente brigadeiro Machado Vieira para colocar ordem no ministério, alvo de sucessivos escândalos e exonerações. O nome escolhido por Vélez para o posto, a evangélica Iolene Lima, foi demitida oito dias após ser anunciada no cargo. A indicação de Vieira fortalece o núcleo militar do governo e enfraquece os seguidores de Olavo de Carvalho, a quem Vélez deve o cargo. (Estadão / Folha)

3/ O governo emitiu um decreto que dificulta a criação de concursos públicos. Os órgãos precisarão justificar que todos os outros esforços para suprir a necessidade de pessoal foram tentados primeiro, inclusive a realocação de outros servidores e o uso de mão de obra terceirizada ou de ferramentas tecnológicas para substituir as funções. Anteriormente, o governo já havia extinguido mais de 21 mil cargos, funções e gratificações no Executivo federal, atingindo principalmente universidades. (Veja / G1)

4/ O Ibama exonerou o servidor que multou Bolsonaro por pesca irregular em 2012. José Morelli era o chefe de operações aéreas do Ibama, e atuou recentemente em Brumadinho e em incêndios em Roraima. Na época da multa, o então deputado Bolsonaro criticou Morelli publicamente em discurso na Câmara, e passou a adotar um discurso antiambientalista desde então. Morelli, por sua vez, afirmou que sua exoneração é resultado de uma vingança pessoal do presidente. O Ibama não comentou o caso, já que está proibido de conversar com a imprensa pelo Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. (Folha / Pública)

5/ O presidente encerrou o expediente mais cedo para participar da Escola de Hombridade. O evento promovido pela igreja evangélica Comunidade das Nações promete que “os valores e princípios serão restabelecidos contra os modismos e histerias da pós-modernidade”, visando criar “homens destemidos, corajosos e honrados que se comportam de modo íntegro e digno”. As aulas são fechadas para mulheres, que são convidadas a participar de um evento paralelo chamado Modeladas. (Valor / Correio)

Redação