Dia 60 — Colaboradores

1/ Em depoimento ao Ministério Público, Fabrício Queiroz admitiu que fazia o “gerenciamento financeiro” do salário dos funcionários do gabinete de Flávio Bolsonaro. Segundo ele a coleta ilegal dos valores serviria para pagar mais assessores para o gabinete, “expandindo a atuação parlamentar do deputado”. Essa versão contradiz o depoimento de um dos outros funcionários do gabinete, que afirmou depositar dois terços do seu salário na conta de Queiroz como “investimento” em negócio de venda de carros. Queiroz também alegou que Flávio não teria conhecimento do esquema. (BBC / Correio / G1)

2/ O Ibama teve sua atuação drasticamente reduzida pelo ministro do Meio Ambiente. Depois de exonerar quase todos os superintendentes do órgão nos estados, Ricardo Salles (Novo) estabeleceu uma norma que permite a delegação do licenciamento ambiental, incluindo obras em áreas indígenas ou reservas ambientais, para os órgãos estaduais e municipais, mais vulneráveis a pressão por parte de grandes empresas. Também existe uma proposta de decreto que tornaria as multas ambientais sem efeito até que sejam revisadas por um comitê subordinado ao ministro, que teria o poder de anular as autuações. Hoje, apenas 5% das multas do Ibama são de fato recolhidas. (O Globo / G1 / Folha)

3/ O secretário especial de Desestatização, Salim Mattar, ganhou autoridade para indicar os presidentes de 31 estatais, inclusive o Banco do Brasil e a Caixa Econômica. A expectativa é que sejam nomeadas pessoas alinhadas com o projeto de privatização das estatais defendido por Paulo Guedes, que tem como meta vender 20 milhões de dólares em empresas públicas. Mattar afirmou que a pauta só deve ser tratada depois da aprovação da reforma da Previdência. Cerca de 60% dos brasileiros são contra a venda de estatais. (Folha / G1 / BRO)

4/ Manifestantes de direita forçaram Moro a retirar indicação para o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária. Ilona Szabó, especialista na área, havia sido nomeada como suplente para o conselho em um cargo sem remuneração, mas foi atacada nas mídias sociais por suas posições contra o porte de armas e a redução da maioridade penal. Junto com o fatiamento de seu pacote “anticrime”, a situação demonstra o crescente isolamento político de Moro no governo Bolsonaro. (BBC / Correio)

Redação