Dia 75 — Pajubá

1/ O governo divulgou o projeto de reforma da previdência dos militares. A proposta aumenta o tempo de serviço antes da aposentadoria de 30 para 35 anos, aumenta a idade de reserva em até 9 anos, aumenta a alíquota de 7,5% para 10,5% e aplica regras mais duras para pensionistas. Em contrapartida, a proposta também reforma a carreira militar, incluindo gratificações por cursos e um adicional de disponibilidade militar de até 32% do soldo. No total, o governo prevê uma economia de dez bilhões em dez anos se a proposta for aprovada. (Veja)

2/ O MEC criou comissão para julgar as questões do Enem. A ideia é evitar conflitos com o presidente, que se revoltou quando o Enem de 2018 incluiu uma pergunta sobre o “pajubá”, um dialeto adotado por gays e travestis. Na ocasião, Bolsonaro disse que no futuro iria “tomar conhecimento da prova antes”. A então presidente do órgão responsável pela elaboração da prova repudiou a ideia e defendeu a imparcialidade do teste, mas foi exonerada. Segundo a nova direção do Inep, o objetivo da comissão ao avaliar as questões será “verificar a sua pertinência com a realidade social, de modo a assegurar um perfil consensual do Exame”. (Veja / G1)

3/ CPI da Lava-Toga aprofunda crise entre Senado e STF. Assinado por 29 senadores, o pedido de abertura da Lava-Toga busca investigar supostos abusos e “ativismo judicial” por parte de membros dos tribunais superiores. Dando o tom das briga, o senador Jorge Kajuru chamou o ministro Gilmar Mendes de “canalha” e o acusou de vender sentenças. Em resposta, o STF abriu inquérito para investigar as “denunciações caluniosas e ameaças difamantes” contra seus membros. O presidente do senado, Davi Alcolumbre, tenta acalmar os ânimos e impedir que a disputa atrapalhe a votação da Previdência, mas membros da base governista enxergam uma oportunidade de se livrar de vários ministros do STF que se opõem à agenda de costumes conservadora, cujos substitutos seriam nomeados por Bolsonaro. (Estadão / Correio)

pesquisa/ Bolsonaro perdeu um terço de seus apoiadores de janeiro pra cá, levando a aprovação do seu governo a 34%. É o pior índice de aprovação de um primeiro mandato desde o fim da ditadura. Para comparação, o governo Dilma tinha a aprovação de 56% dos brasileiros no mesmo período. (Veja)

Redação
Dia 74 — Encontros e Desencontros

1/ Em reunião com Trump, Bolsonaro sinalizou apoio a uma possível invasão na Venezuela. Questionado se o Brasil apoiaria uma ação militar americana contra o país vizinho, o presidente afirmou que “O Brasil está a postos para cumprir essa missão de levar liberdade e democracia para esse país“, mas que “tem certas questões que, se você divulgar, deixam de ser estratégia”. Trump reforçou que "todas as opções estão abertas" , e não descartou a possibilidade de atacar a Venezuela. (Veja / Correio)

2/ No mesmo encontro, Trump criou obstáculos à entrada do Brasil na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Pleiteada desde o governo Temer, a vaga brasileira na OCDE supostamente atrairia mais investidores estrangeiros para o país, ao custo de ter de adotar uma série de políticas econômicas liberais. Porém, os EUA vêm sabotando a candidatura brasileira. Dessa vez, apesar de declarações superficiais de apoio, Trump exigiu que o Brasil primeiro abandone seu status de país com tratamento especial na Organização Mundial do Comércio, o que permite mais flexibilidade e tempo para que o país cumpra acordos comerciais e proteja a indústria nacional. (O Globo / UOL / R7)

3/ O governo brasileiro deixou de pedir vistos para turistas do Canadá, EUA, Japão e Austrália. A medida, que tinha o objetivo de aproximar o Brasil desses países, especialmente os EUA, não teve nenhuma contrapartida por parte dos beneficiados. Justificando a liberação unilateral frente a políticas de imigração cada vez mais restritas por parte dos Estados Unidos, Bolsonaro disse que a maioria dos imigrantes, inclusive os brasileiros, “não tem boas intenções”. No dia seguinte, ele voltou atrás na declaração e disse que cometeu um “ato falho”. (Veja / Folha / EBC)

Redação
Dia 73 — Confiança

1/ O governo estabeleceu regras para a ocupação de cargos de confiança no Executivo federal. Os indicados precisarão se enquadrar na lei da Ficha Limpa, além de cumprir critérios técnicos como anos de experiência e formação acadêmica apropriada para o cargo. Porém, as regras só valerão a partir de maio, deixando que o governo nomeie pessoas que não se encaixam nos critérios do decreto enquanto passa o período de negociação de cargos em troca de votos a favor da reforma da Previdência. (G1 / Folha)

2/ Reunião de Bolsonaro com conservadores americanos amplia racha entre olavistas e militares. O pensador Olavo de Carvalho foi repetidamente elogiado durante jantar entre Bolsonaro e vários líderes americanos de direita em Washington. Steve Bannon, o articulador da campanha de Trump, chamou Mourão de “voz dissonante” e “perigoso” para o governo, destacando todas as vezes em que o vice se pronunciou de maneira diferente do presidente. Olavo, por sua vez, disse que o general era um “idiota”, e Mourão se absteve da polêmica. A próxima disputa entre os dois grupos será a nomeação do embaixador do Brasil em Washington: Olavo quer Nestor Forster, e os militares apóiam Murillo de Aragão. (BBC)

Redação