Dia 68 — Fake News

1/ Bolsonaro alegou falsamente que uma jornalista pretendia “arruinar Flávio Bolsonaro e o governo”. No Twitter, o presidente reproduziu uma notícia falsa do site Terça Livre, em que a repórter do Estado de S. Paulo Constança Rezende teria sido gravada conversando em inglês sobre suas intenções contra Bolsonaro. Na realidade, a jornalista disse apenas que o caso Queiroz “pode comprometer” e “está arruinando Bolsonaro”, sem demonstrar qualquer intenção de sua parte. O Terça Livre também mentiu ao dizer que Constança teria sido a primeira jornalista a escrever sobre o caso, e que o diálogo seria parte de uma entrevista dada a um jornal francês. (Estadão / O Globo / Lupa)

2/ Bolsonaro dá em média uma declaração errada por dia. De acordo com verificação feita por agência de checagem, o presidente repetidamente tentou levar o crédito por ações de governos anteriores, se enganou sobre indicadores econômicos e tentou negar a influência de fatores políticos na indicação de cargos do governo, entre outras derrapadas. (Aos Fatos)

3/ O ex-chefe da assessoria de imprensa do Exército vai coordenar as mídias sociais do Planalto. O coronel Didio Pereira de Campos será o chefe da Comunicação Global, órgão da Secretaria de Comunicação Social da presidência responsável tanto pelas mídias sociais quanto pela publicidade do governo. Estranhamente, Bolsonaro e seu filho Carlos foram ao Twitter denunciar que a nomeação seria “fakenews”, embora ela tenha sido publicada no Diário Oficial de hoje. A indicação foi feita pelo ministro da Secretaria do Governo, o general Carlos Santos Cruz, e assinada pelo ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. (Folha / Fórum)

4/ Briga entre militares e discípulos de Olavo de Carvalho dizima o ministério da Educação. Os olavistas foram responsabilizados pelo vexame da carta pedindo que as escolas gravassem seus alunos cantando o hino nacional, resultando em pelo menos quatro exonerações. Os olavistas foram reclamar diretamente com Bolsonaro, e o presidente ordenou que o ministro Vélez Rodríguez afastasse também um de seus assessores, o coronel-aviador da reserva Ricardo Roquetti. A equipe deve sofrer novas mudanças nos próximos dias. (Folha / Veja)

Redação
Dia 65 — Dia da Mulher

1/ O número de feminicídios registrados subiu 12% em 2018 em relação ao ano anterior. Em 71% dos casos o suspeito é o parceiro da mulher, muitas vezes após brigas, ciúmes ou suposta traição. Uma mulher é morta a cada duas horas no país, e especialistas afirmam que o número deve aumentar com a flexibilização da posse de armas assinada por Bolsonaro em janeiro. (G1 / Folha / Vice)

2/ Damares Alves anunciou que o governo irá às escolas ensinar os meninos a respeitar as meninas, incluindo “levar flores” e “abrir a porta”. A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos defendeu que dessa forma não estariam colocando a mulher em situação de fragilidade, mas sim que “vamos elevar a mulher para o patamar de um ser especial”. A ministra também lançou a campanha “Salve uma mulher”, voltada para “profissionais da área de beleza que lidam com mulheres todos os dias”. (Veja)

3/ Bolsonaro ironizou o número de mulheres em seu governo, dizendo que cada uma vale por dez homens. Das 22 pastas ministeriais, apenas duas são comandadas por mulheres: Damares Alves, do ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos; e Tereza Cristina, a ministra da Agricultura. O presidente também citou a Bíblia e afirmou que vai “continuar lutando para que cada vez mais vocês (mulheres) façam parte de nossas vidas”. (R7)

pesquisa/ Segundo o IBGE, o rendimento financeiro das mulheres é, em média, 20,51% menor do que a de homens na mesma ocupação. Ser mulher, de acordo com essa análise, custa cerca de 529 reais por mês. As mulheres também têm menos oportunidade de entrar no mercado de trabalho, trabalham menos horas por dia em função da jornada doméstica, e recebem menos por hora trabalhada que seus pares masculinos. (Veja)

Redação
Dia 64 — De Bem

1/ O ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, foi acusado de ter convidado pessoalmente uma candidata para esquema de desvio de verbas públicas e lavagem de dinheiro. Segundo Zuleide Oliveira, ex-candidata a deputada estadual pelo PSL em Minas Gerais, Álvaro teria explicado em reunião que seriam enviados 60 mil reais em fundos eleitorais para Zuleide, mas que ela teria que repassar 45 mil de volta para o PSL, de maneira ilegal. Álvaro nega ter havido qualquer irregularidade. (Folha)

2/ Em discurso feito em comemoração do aniversário dos Fuzileiros Navais, Bolsonaro afirmou que a democracia e a liberdade só existem quando as Forças Armadas querem. O presidente, que é militar da reserva, também declarou que pretende governar ao lado das pessoas “de bem” e que “amam a pátria e respeitam a família”. Bolsonaro disse ainda que os militares serão incluídos na reforma da Previdência, sem dar detalhes. (Veja / Correio)

3/ Grupo de 32 deputados americanos criticou Bolsonaro e afirmou que suas políticas “colocam em risco o futuro democrático do Brasil”. Em carta enviada ao secretário de Estado americano, os deputados do partido Democrata disseram estar “profundamente desapontados” com os elogios do governo Trump a Bolsonaro, e se disseram preocupados com o tratamento de pessoas LGBTQ+ e outras comunidades minoritárias, mulheres, ativistas trabalhistas e dissidentes políticos. A carta cita como exemplo alarmante da situação do país o bloqueio da candidatura de Lula, “em circunstâncias controversas que põem em risco os direitos do povo do Brasil à livre escolha do presidente”. (Veja / Vox)

4/ Moro autorizou o envio da Força Nacional ao Pará, a pedido do governador do estado. Cerca de 200 mil militares participarão de ações de policiamento ostensivo, policiamento judiciário e perícia forense na cidade de Ananindeua, na região metropolitana de Belém. A capital paraense está entre as dez cidades mais violentas do planeta, com 71,38 assassinatos a cada 100 mil habitantes por ano. (Estadão)

Redação